- Igor Ribeiro
- 05 de agosto de 2025, às 09:00
Durante muitos anos, a segurança da informação foi construída sobre um conceito simples e aparentemente lógico: proteger o perímetro. Firewalls, redes internas isoladas e controles rígidos de entrada e saída eram suficientes para manter os ativos digitais protegidos. A empresa era vista como um castelo, e a rede corporativa, como suas muralhas.
Esse modelo funcionava bem quando tudo estava concentrado fisicamente dentro do escritório: servidores locais, estações de trabalho fixas e colaboradores presentes no mesmo ambiente. O acesso remoto era exceção, e a internet ainda não era a principal via de trabalho corporativo.
Hoje, esse cenário não existe mais. Aplicações estão na nuvem, colaboradores trabalham de qualquer lugar, dispositivos pessoais acessam sistemas corporativos e dados trafegam fora da rede interna o tempo todo. O perímetro simplesmente deixou de existir como referência de segurança.
Com isso, o foco da proteção não pode mais estar na rede. Ele precisa estar em quem acessa, como acessa, de onde acessa e em qual contexto acessa.
Se não há mais uma fronteira física ou lógica bem definida, a única constante passa a ser a identidade do usuário e do dispositivo. É ela que acompanha o acesso, independentemente da localização, da rede utilizada ou do recurso solicitado.
A identidade passa a ser o ponto central de validação. Não importa se o acesso parte do escritório, de casa ou de outro país. O que importa é saber se aquele usuário é legítimo, se o dispositivo é confiável e se o contexto da requisição faz sentido.
É nesse ponto que a Segurança de Identidade Cloud ganha protagonismo. Ela muda a lógica da proteção: em vez de confiar na rede, passa-se a confiar (ou não) na identidade validada continuamente.
A segurança deixa de ser estática e passa a ser dinâmica, baseada em verificação constante.
IAM (Identity and Access Management) é o conjunto de políticas, processos e tecnologias responsáveis por gerenciar identidades digitais e controlar seus acessos aos recursos da empresa.
Em ambientes cloud e híbridos, o IAM deixa de ser um componente técnico secundário e passa a ser a espinha dorsal da segurança. Ele define quem pode acessar o quê, em quais condições e com quais permissões.
Sem uma gestão eficiente de identidades e acessos, qualquer estratégia de segurança se torna frágil. Usuários acumulam permissões excessivas, contas antigas permanecem ativas e acessos não são devidamente monitorados.
A Segurança de Identidade Cloud depende diretamente de um IAM bem estruturado, com políticas claras, revisões constantes e visibilidade total sobre quem acessa cada recurso.
Zero Trust, ou Confiança Zero, parte de um princípio simples e poderoso: nunca confiar automaticamente em nenhum acesso, mesmo que ele venha de dentro da rede corporativa.
Todo acesso deve ser verificado, autenticado, autorizado e monitorado. Sempre.
Isso elimina a ideia de que estar "dentro da rede" é suficiente para ser considerado seguro. Cada requisição passa a ser tratada como potencialmente maliciosa até que se prove o contrário.
A aplicação do Zero Trust é um dos pilares da Segurança de Identidade Cloud, pois coloca a identidade como elemento central da decisão de permitir ou bloquear acessos.
Não basta saber quem é o usuário. É preciso saber de qual dispositivo ele está acessando, em qual horário, de qual localização e com qual comportamento.
Um login válido feito de um país incomum, em um horário atípico e por um dispositivo desconhecido deve gerar alerta imediato, mesmo que a senha esteja correta.
O contexto passa a ser tão importante quanto a credencial. Isso torna a segurança mais inteligente e menos dependente de regras fixas.
Esse modelo contextual é fundamental dentro da Segurança de Identidade Cloud, pois permite decisões dinâmicas baseadas em risco.
Grande parte dos ataques atuais não explora falhas técnicas em servidores ou redes. Eles exploram credenciais comprometidas, engenharia social e falhas humanas.
Phishing, vazamento de senhas e reutilização de credenciais são portas de entrada muito mais comuns do que vulnerabilidades técnicas complexas.
O atacante não precisa invadir a rede. Ele simplesmente entra pela porta da frente, usando um usuário legítimo.
Isso reforça por que a Segurança de Identidade Cloud é hoje muito mais crítica do que investimentos isolados em infraestrutura.
A autenticação baseada apenas em senha é insuficiente. O uso de MFA (autenticação multifator) adiciona uma camada essencial de proteção.
Mesmo que a senha seja comprometida, o atacante ainda precisaria de um segundo fator, como token, aplicativo autenticador ou biometria.
Além disso, políticas de acesso condicional permitem bloquear ou exigir validações extras dependendo do contexto do acesso.
Esses mecanismos são fundamentais para fortalecer a Segurança de Identidade Cloud.
Usuários não devem ter mais acesso do que o necessário para realizar suas funções. Esse é o princípio do menor privilégio.
Na prática, muitas empresas falham nisso. Colaboradores acumulam permissões ao longo do tempo e passam a ter acesso a sistemas que não deveriam.
A revisão periódica de permissões é parte essencial da Segurança de Identidade Cloud, reduzindo drasticamente a superfície de ataque.
Não basta controlar acessos. É preciso monitorá-los continuamente.
Logs detalhados, análise comportamental e alertas automáticos permitem identificar padrões suspeitos antes que se tornem incidentes graves.
A visibilidade total sobre os acessos é um dos diferenciais de uma estratégia madura de Segurança de Identidade Cloud.
O e-mail corporativo é a principal porta de entrada para ataques de phishing. Ter filtros antispam avançados e proteção contra ameaças é essencial.
A VPN corporativa continua sendo relevante, mas agora integrada ao conceito de validação de identidade e contexto, não apenas como túnel de acesso.
Esses elementos, quando integrados a políticas de identidade, reforçam a estratégia de Segurança de Identidade Cloud.
O maior desafio não é tecnológico, mas cultural e processual. É necessário rever políticas, fluxos de acesso e hábitos antigos.
Muitas empresas ainda operam com contas compartilhadas, ausência de MFA e falta de revisão de permissões.
Implementar Segurança de Identidade Cloud exige mudança de mentalidade e governança clara.
O primeiro passo é mapear todas as identidades existentes e seus níveis de acesso.
Em seguida, implementar MFA, revisar permissões, ativar logs e criar políticas de acesso condicional.
Pequenas ações já geram grandes avanços na Segurança de Identidade Cloud.
A MACROMIND apoia empresas na construção de uma arquitetura de segurança alinhada ao modelo Zero Trust, com foco total na identidade.
Com VPN corporativa e e-mail corporativo com antispam avançado é possível elevar significativamente o nível de proteção.
Se sua empresa ainda trata a segurança como proteção de rede, é hora de evoluir para um modelo baseado em identidade, contexto e verificação contínua.